Bulimia Nervosa

O QUE É?

Bulimia Nervosa

Bulimia ou bulimia nervosa é um  transtorno do comportamento alimentar.

Pessoas com bulimia, em geral, possuem uma visão bastante distorcida da sua aparência física. Preocupam-se excessivamente com o peso corporal, o que pode afetar diretamente a autoestima de acordo com a forma como se auto avaliam.

Esse transtorno é caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios inadequados.

O que são episódios e compulsão alimentar e comportamentos compensatórios?
EPISÓDIOS DE COMPULSÃO ALIMENTAR
  1. Comer em um curto período de tempo (p. ex., dentro de um período de duas horas), de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos indivíduos consumiria no mesmo período sob circunstâncias semelhantes.
  2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (p. ex., sentimento de não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo).
COMPORTAMENTOS COMPENSATÓRIOS

São comportamentos  que visam impedir o ganho de peso, como vômitos autoinduzidos; uso indevido de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejum; ou exercício em excesso.

Diagnóstico:

Para ser considerado um quadro de Bulimia Nervosa, quatro aspectos devem estar presentes:

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar acompanhados de sensação de perda de controle sobre o quê e quanto se come, seguidas de sensação de culpa.
  • Comportamentos compensatórios inapropriados recorrentes para impedir o ganho de peso.
  • Preocupação excessiva com o peso e a forma do corpo (a ponto de influenciar na autoestima e na autoavaliação)
  • A compulsão alimentar e os comportamentos compensatórios inapropriados devem ocorrer, em média, no mínimo uma vez por semana por três meses.
Ciclo da Bulimia Nervosa:

Uma pessoa com bulimia nervosa pode se perder em um ciclo perigoso, comendo sem controle e tentando compensar. Isso pode levar a sentimentos de vergonha, culpa e desânimo.

 Esses comportamentos podem se tornar mais compulsivos e incontroláveis ao longo do tempo, e levar a uma obsessão com alimentos, pensamentos sobre como comer (ou não comer), perda de peso, dieta e imagem corporal.

Esses comportamentos são muitas vezes escondidos. Indivíduos costumam manter seus hábitos secretos de alimentação e exercícios. Como resultado, a bulimia pode muitas vezes não ser detectada por um longo período de tempo.

Causas

Os motivos para o desenvolvimento de bulimia nervosa diferem de pessoa para pessoa. As causas conhecidas incluem predisposição genética e uma combinação de fatores ambientais, sociais e culturais.

Idade de início da doença:

A bulimia nervosa começa na adolescência ou na idade adulta jovem.

Seu início antes da puberdade ou depois dos 40 anos é incomum.

Gravidade
LEVE

Média de 1 a 3 episódios de comportamentos compensatórios inapropriados por semana.

MODERADA

Média de 4 a 7 episódios de comportamentos compensatórios inapropriados por semana.

GRAVE

Média de 8 a 13 episódios de comportamentos compensatórios inapropriados por semana.

EXTREMA

Média de 14 ou mais comportamentos compensatórios inapropriados por semana.

Gatilhos para a compulsão alimentar:

Indivíduos com bulimia nervosa em geral sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam esconder os sintomas. A compulsão alimentar normalmente ocorre em segredo ou da maneira mais discreta possível.

Os principais gatilhos para uma compulsão são:

  • Sentimentos e situações difíceis de lidar
  • Restrições alimentares (estar fazendo uma dieta)
  • Sentimentos negativos relacionados ao peso corporal, à forma do corpo e a alimentos
  • Tédio

A compulsão normalmente alivia momentaneamente as sensações e pensamentos desagradáveis mas após o episódio, normalmente ocorre sensações ruins como culpa e arrependimento.

Peso dos pacientes com Bulimia Nervosa:

Pacientes com bulimia nervosa estão geralmente dentro da faixa normal de peso ou com sobrepeso.

Fatores de Risco

Fatores de risco são situações que podem aumentar a chance de alguma pessoa desenvolver alguma doença. No caso da Bulimia Nervosa, os fatores de risco são:

  • Preocupações com o peso
  • Baixa autoestima
  • Sintomas depressivos e/ou ansiosos
  • internalização de um ideal corporal magro aumenta o risco de desenvolver preocupações com o peso, o que, por sua vez, aumenta o risco de desenvolver bulimia nervosa.
  • Indivíduos que sofreram abuso sexual ou físico na infância têm um risco maior de desenvolver o transtorno.
  • Ter sido obeso na infância
  • Ter familiares que tiveram ou tem o diagnóstico de Bulimia Nervosa.
  • A transmissão familiar do transtorno pode estar presente, bem como vulnerabilidades genéticas para a perturbação. Modificadores do curso. A gravidade da comorbidade psiquiátrica prediz uma evolução mais desfavorável de bulimia nervosa no longo prazo.
Sintomas e Sinais:

Quanto mais rápida for detectada a Bulimia Nervosa e iniciado o tratamento, maiores são as chances de tratamento. Se você ou alguém que você conhece está exibindo algum sintoma ou uma combinação dos sinais, é vital procurar ajuda e apoio o mais rápido possível.

Os sinais podem ser físicos, psicológicos e comportamentais:

SINAIS FÍSICOS
  • Mudanças frequentes de peso (perda ou ganho)
  • Sinais de danos devido ao vômito, incluindo inchaço em torno das bochechas ou mandíbula, calos nas juntas, dano aos dentes e mau hálito
  • Sensação de inchaço
  • Constipações intestinais
  • Desenvolvimento de intolerância à determinados alimentos
  • Perda ou perturbação dos períodos menstruais em meninas e mulheres
  • Desmaio ou tonturas
  • Hemorroidas
  • Sensação de cansaço, fadiga e alterações no sono
SINAIS PSICOLÓGICOS
  • Preocupação excessiva com a alimentação, comida, corpo e peso
  • Sensibilidade aos comentários relacionados com alimentos, peso, forma do corpo ou exercício físico
  • Baixa autoestima, sentimentos de vergonha, auto-aversão ou culpa, particularmente depois de comer
  • Ter uma imagem do corpo distorcida (por exemplo, ver-se com excesso de peso mesmo que estejam em uma faixa de peso saudável para sua idade e altura)
  • Obsessão com alimentos e necessidade de controle das calorias
  • Depressão, ou irritabilidade
  • Insatisfação extrema do corpo
SINAIS COMPORTAMENTAIS
  • Evidência de compulsão alimentar (por exemplo, desaparecimento ou acumulação de alimentos)
  • Vomitar, usar laxantes, enemas, supressores de apetite ou diuréticos
  • Comer escondido e evitar refeições com outras pessoas
  • Comportamento anti social, passando cada vez mais tempo sozinho
  • Comportamentos repetitivos ou obsessivos relacionados à forma e ao peso do corpo (por exemplo, pesar-se repetidamente, olhar-se no espelho obsessivamente, comprimindo a cintura ou os pulsos)
  • Comportamento “mentiroso” em torno dos alimentos (por exemplo, dizer que comeram quando não o fizeram, esconder alimentos não consumidos em seus quartos)
  • Exercício compulsivo ou excessivo (por exemplo, exercitar-se em mau tempo, continuar a exercitar-se quando está doente ou ferido e sofrer ou sentir-se triste se o exercício não for possível)
  • Comportamento de dieta (por exemplo, praticar jejum, contagem de calorias, evitar determinados grupos de alimentos, como gorduras e carboidratos)
  • Idas frequentes ao banheiro durante ou logo após as refeições, o que pode ser evidência de vômito ou uso de laxante
  • Gastar grandes quantidades de dinheiro em alimentos)
  • Mudanças no estilo da roupa (por exemplo, vestindo roupas largas)
  • Rituais obsessivos em torno da preparação de alimentos e comer (por exemplo, comendo muito devagar, cortando alimentos em pedaços muito pequenos, insistindo que as refeições são servidas exatamente na mesma hora todos os dias)
  • Alterações nas preferências alimentares (por exemplo, alegando não gostar dos alimentos anteriormente apreciados, preocupação súbita com “alimentação saudável” ou substituição de refeições por líquidos)
  • Auto-dano, abuso de substâncias ou tentativas de suicídio
Sintomas e Sinais:

Os riscos associados à bulimia Nervosa  podem ser bastante graves. Trata-se de um transtorno alimentar que pode levar à morte.  Pessoas com bulimia podem experimentar:

  • Dor de garganta crônica, indigestão, azia e refluxo gástrico
  • Inflamação e ruptura do esôfago e do estômago devido ao vômito freqüente
  • Dores de estômago e úlceras intestinais
  • Movimentos peristálticos irregulares, constipação ou diarreia provocados pelo uso indevido e deliberado de laxantes
  • Osteoporose – uma condição que leva a que os ossos se tornem frágeis e facilmente fraturados
  • Perda ou perturbação dos períodos menstruais em meninas e mulheres
  • Aumento do risco de infertilidade em homens e mulheres
  • Batimento cardíaco irregular ou lento que pode levar a um risco aumentado de insuficiência cardíaca
Tratamento:

Trata-se de um tratamento multidisciplinar, que deve envolver o trabalho de médico psiquiatra, psicólogo e nutricionista. A eficácia do tratamento psicológico é clinicamente comprovada para reduzir a gravidade, impacto e duração da Bulimia Nervosa.

Principais dificuldades no tratamento:

A maior dificuldade é a demora em buscar tratamento. Normalmente o paciente só busca tratamento quando sente que perdeu completamente o controle em relação aos episódios de compulsão ou quando já está sentindo alguma dor física, estágio em que as complicações da doença já estão instaladas.

Quanto maior for a resistência para iniciar o tratamento, maiores são as chances de haver um agravamento do quadro com consequências muito graves.

Muitas vezes, o paciente só busca ou aceita tratamento após haver grande insistência por parte dos familiares. É muito importante que a família também receba cuidados e se envolva no tratamento. Os familiares devem ser orientados sobre o que é a doença, como se desenvolve e devem saber o que podem fazer para ajudar um paciente da família que está doente. As chances de melhora aumentam muito quando os familiares estão envolvidos no tratamento.

Objetivos do tratamento:

Os objetivos a longo prazo do tratamento psicológico para a Bulimia Nervosa são: diminuir e sessar os episódios de compulsão alimentar, bem como os comportamentos compensatórios,  reduzindo assim o risco de comprometimento da saúde, incentivando comportamentos normais de alimentação e exercício, com plena recuperação psicológica e física.

Componentes do tratamento:
ACONSELHAMENTO NUTRICIONAL

Um componente do tratamento da Bulimia Nervosa é o aconselhamento nutricional. No aconselhamento nutricional, o nutricionista ensina o paciente a ter uma alimentação saudável, boa nutrição e alimentação balanceada. A nutricionista também ajuda a pessoa a desenvolver e acompanhar os planos de refeições, que incluem calorias suficientes para manter uma dieta saudável e peso adequado.

PSICOTERAPIA

A terapia desempenha um papel crucial no tratamento da AN. Os seus objetivos são identificar os pensamentos e sentimentos negativos sobre o peso e a auto estima que estão por trás dos comportamentos inadequados, e substituí-las por pensamentos menos distorcidos.  Outra meta importante é ensinar o paciente a lidar com emoções difíceis, problemas de relacionamento, e estresse, criando estratégias saudáveis para lidar com essas questões, ao invés de lidar de maneira autodestrutiva

TERAPIA COGNITIVA

Explora o pensamento crítico e questiona os pensamentos distorcidos da Bulimia. O foco está no aumento da auto-consciência, desafiando as crenças distorcidas, melhorando a auto-estima, a auto-imagem e senso de controle. A terapia cognitiva também envolve uma psico-educação sobre a doença.

TERAPIA COMPORTAMENTAL

Promove comportamentos alimentares saudáveis através da utilização de recompensas, reforços, auto-monitorização e ajuste do objetivo. Ensina o paciente a reconhecer a Bulimia Nervosa e lidar com ela usando técnicas e estratégias de confrontamento.

TERAPIA FAMILIAR

Examina a dinâmica familiar que pode contribuir para a doença ou interferir na recuperação.

TERAPIA DE GRUPO

Permite que as pessoas com Bulimia Nervosa falem uns com os outros num ambiente supervisionado. Ajuda a reduzir o isolamento dos pacientes que muitos possam sentir. Esses membros do grupo podem apoiar-se uns aos outros através da recuperação e compartilhar as suas experiências e conselhos.

MEDICAÇÕES

Não existem medicamentos concebidos especificamente para tratar Bulimia Nervosa, porque eles mostraram um benefício limitado no tratamento deste distúrbio alimentar. No entanto, os antidepressivos ou outras medicações psiquiátricas podem ajudar a tratar outros distúrbios mentais que comumente aparecem associados, como depressão ou ansiedade.

INTERNAÇÃO

Em casos de complicações médicas, ou emergências psiquiátricas,  a hospitalização pode ser necessária. A hospitalização pode ser numa enfermaria psiquiátrica ou médica. Existem também algumas clínicas que são especializadas no tratamento de pessoas com transtornos alimentares.

É possível a recuperação da Bulimia Nervosa?

Sim. É possível recuperar-se, mesmo que tenha vivido com a doença por muitos anos. O caminho para a recuperação pode ser longo e desafiador, no entanto, com a equipe certa apoiando o indivíduo e um alto nível de compromisso, a recuperação é viável. Procure ajuda de um profissional com conhecimento especializado em transtornos alimentares.

Como encontrar ajuda?

Se você suspeita que você ou alguém que você conhece tenha anorexia, é importante procurar ajuda especializada imediatamente. Quanto mais cedo for a procura, mais perto estará da recuperação.

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