Previna o Transtorno de Compulsão Alimentar

por em Compulsão Alimentar 10 de junho de 2019

Nas linhas a seguir estão algumas recomendações importantes que devem ser adotadas para a prevenção do Transtorno de Compulsão Alimentar .

Recomendação 1

Não fazer dietas restritivas. Ao invés disso, adotar uma alimentação balanceada, que contenha todos os grupos alimentares. Buscar aumentar o consumo de “comida de verdade”, (como os legumes, verduras, frutas, carnes, grãos, queijo) e diminuir a ingestão de alimentos industrializados e principalmente daqueles ultra processados.

O comportamento de fazer dietas restritivas é um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares, portanto deve ser evitado. Evidências científicas mostram que além do comportamento de dieta não ser sustentável (ou seja, poucas pessoas conseguem sustentar uma dieta por muito tempo), ele podem fazer o indivíduo desenvolver uma obsessão  por comida e por peso e gerar uma relação adoecida com a comida, permeada por culpa e sofrimento. Além disso, estudos mostram uma forte correlação  entre fazer dieta e ganhar peso a longo prazo e também uma correlação entre fazer dieta e ter episódios de compulsão alimentar.

Recomenda-se portanto adotar uma dieta balanceada, buscando comportamentos de autocuidado e desenvolvendo habilidades tais como o reconhecimento dos sinais de fome e saciedade no corpo.

Recomendação 2:

Praticar exercícios físicos regularmente. Estudos mostram que a prática regular de exercícios pode auxiliar na prevenção de Transtornos Alimentares. É preciso contudo, que esses exercícios sejam realizados com o propósito de  sentir-se bem. (ou seja, numa abordagem intuitiva e de autocuidado). O exercício físico não pode ser entendido exclusivamente como uma forma de eliminar calorias, pois nessa abordagem, o exercício físico estaria representando um sintoma ou um fator de risco para o desenvolvimento de um transtorno alimentar.

Recomendação 3:

Buscar desenvolver uma relação positiva com o corpo. Pesquisas mostram que a insatisfação com o corpo (peso, forma ou tamanho do corpo ou de suas partes) é um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares.  Para desenvolver uma relação mais positiva com o corpo, o indivíduo pode tentar focar a sua atenção nas partes do corpo que gosta, pode desenvolver também um olhar mais crítico em relação aos padrões sociais de beleza e pode  procurar ajuda de um profissional da área da saúde para buscar melhorar a sua autoimagem. É possível desenvolver técnicas para o indivíduo gostar mais do corpo, e tirar a aparência física do principal foco de preocupações.

Recomendação 4:

Evitar conversas sobre peso e evitar comentar sobre o corpo de outras pessoas.

Pesquisas realizadas com adolescentes sugerem que pais que falam com frequência sobre peso em casa, aumentam o risco para transtornos alimentares e obesidade de seus filhos. Dentre as conversas que devem ser evitadas estão os comentários dos pais a respeito de seu próprio peso e dieta, discussões sobre o peso de outras pessoas, incentivos para crianças e adolescentes fazerem dieta ou perder peso e provocações ou brincadeiras a respeito do peso.

Aos pais que falam com os filhos sobre peso é sugerido:

1. Diminuir o foco em seu próprio corpo;
2. Evitar comentários sobre os corpos ou peso de seus filhos
3. Não permitir provocações relacionadas com peso dentro de sua casa;
4. Evitar comentários sobre o peso ou corpo de outras pessoas.

Vale notar que essa recomendação não se dirige apenas à pais de crianças ou adolescentes, ela se estende a todas as pessoas, inclusive casais, amigos, colegas, e familiares adultos.

Recomendação 5:

Promover um ambiente doméstico saudável que envolva comportamentos alimentares saudáveis, como maior disponibilidade de frutas e vegetais, e prática de atividade física.

Estudos mostraram que crianças e adolescentes que adquirem hábitos saudáveis desde cedo, tendem a manter esses comportamentos na vida adulta. Caso o indivíduo adulto não tenha recebido referências de alimentação saudáveis desde a infância, ele pode iniciar na fase adulta a transição para a criação de um ambiente doméstico saudável.

Recomendação 6:

O indivíduo que sofreu algum tipo de mal-trato, provocação ou brincadeira referente ao seu peso, forma do corpo ou de alguma parte do corpo, deve procurar ajuda de um profissional da área da saúde. Uma pesquisas mostrou que ser alvo destes tipos de piadas ou mal-tratos, levou meninas a desenvolverem obesidade, compulsão alimentar e comportamentos inadequados para controle de peso. As provocações em relação ao peso também se mostraram associadas a inúmeros comportamentos negativos e alterações psicológicas, incluindo insatisfação corporal, baixa autoestima, sintomas depressivos, e alterações no comportamento alimentar, afetando o bem-estar do adolescente.

Por conta da alta prevalência de estigmatização relacionada ao peso e suas consequências, é importante que o indivíduo que sofreu com esses comentários possa buscar ajuda e receber acolhimento de um profissional da área da saúde.

Recomendação 7

Buscar estratégias para lidar com pensamentos e emoções. É sabido que muitas vezes o gatilho para um episódio de compulsão alimentar é um pensamento ou um sentimento. Dessa forma, aprender a identificar e modificar pensamentos disfuncionais e aprender a lidar com emoções tais como a raiva, a ansiedade e a culpa são tarefas essenciais para se prevenir o desenvolvimento ou manutenção de um transtorno de compulsão alimentar.

Recomendação 8

Praticar o Mindful Eating: essa técnica incentiva uma relação diferente com a comida em que busca-se o “comer com atenção plena”, tomando decisões conscientes sobre a alimentação, com uma atitude aberta, de curiosidade e sem julgamentos. Com essa técnica, aprende-se a prestar atenção nos sentimentos, sensações corporais, pensamentos e no ambiente ao redor durante a refeição. Aprende-se também a ter maior consciência dos processos corporais de fome e saciedade. Recentes pesquisas tem mostrado que o mindfuleating ajuda a reduzir a ansiedade ligada ao comportamento alimentar revelando-se como uma técnica importante na prevenção do TCA.

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